Isso de mim que anseia despedida / (Para perpetuar o que está sendo) / Não tem nome de amor. Nem é celeste / Ou terreno. Isso de mim é marulhoso / E tenro. Dançarino também. Isso de mim / É novo: Como quem come o que nada contém. / A impossível oquidão de um ovo.

 

tigerwek

 

Como se um tigre / Reversivo, / Veemente de seu avesso / Cantasse mansamente. / Não tem nome de amor. Nem se parece a mim. / Como pode ser isto? Ser tenro, marulhoso / Dançarino e novo, ter nome de ninguém / E preferir ausência e desconforto / Para guardar no eterno o coração do outro.

 

– trecho do poema inaugural de ‘Cantares do sem-nome e de partidas’ (1995).