Dia 24 de junho de 1966

Hilda se mudava com o namorado, Dante Casarini, para a Casa do Sol.  Passando pelo portão, a carroça seguiu por um terreno seco, coberto de mato ralo e baixo em trechos esparsos. Cinco coqueiros de troncos finos e folhas queimadas esvoaçavam no sentido do vento. Uma figueira com mais de vinte metros de altura chamava a atenção para o lado direito. Como se fosse a mão da árvore a embalar o corpo, está preso em um de seus galhos, por correntes compridas, um balanço sem encosto que acomodou alguns brincalhões em seu rígido assento. Para frente, para trás, para frente, para trás.

 

Captura de Tela 2015-10-29 às 10.37.31 AM

 

O ar sopra suave no ouvido, devido ao movimento. Os cabelos vão e vêm, os joelhos se dobram e se esticam. A Casa está à esquerda. Dá para ver uma chaminé no telhado. Ela parece mais próxima, mais distante, mais próxima. E some, caso se feche os olhos para perceber apenas a claridade vermelha do sol que se espalha entre os raros espaços da densa sombra da árvore. Vermelho, preto, vermelho, preto. Se tirar os pés do chão e agarrar as mãos nas correntes laterais, conseguirá deixar de pensar. E irá apenas sentir.

 

 

Juliana Maringonni em deliciosa reportagem